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sexta-feira

A Rainha dos Anjos, terror dos demônios


A Rainha dos Anjos, terror dos demônios

ENCERRAMOS AQUI o estudo que nos conduziu da maravilhosa realidade dos anjos de luz, à tenebrosa dos anjos decaídos; da fidelidade e amor enlevado a Deus dos primeiros, à revolta desesperada dos segundos; da solicitude dos anjos por nós homens, ao ódio implacável que nos têm os demônios.

Vimos os cuidados que devemos ter em relação a toda forma de supertição, que é uma porta de acesso do Maligno, e a que grau de sujeição ao anjo do mal pode chegar o homem, passando de um pacto implícito, da mera superstição, ao pacto explícito, a um verdadeiro contrato com o demônio. E aí se abre o abismo terrível da possessão voluntária, da feitiçaria, do malefício, das Missas negras, dos ritos sacrílegos, os sacrifícios humanos...

Vimos também o renascer do satanismo, conseqüência do tremendo processo de descristianização e de decadência moral pelo qual passa a Humanidade.

Deve-se temer mais o pecado do que o demônio

Não devemos, entretanto, ter um medo cheio de pânico do demônio. nem exagerar supersticiosamente seus poderes (os quais, de lhe valem se Deus não consentir que os utilize); mas guardar dele toda a distância, evitando qualquer forma de superstição; evitando sobretudo o pecado: é o pecado que nos torna vulneráveis à ação do Maligno.

Como dizem os santos, mais do que o demônio e suas artes, devemos temer o pecado.

A grande Santa Teresa de Jesus relembra esta verdade com tal fogo e tal lógica, que convém transcrever suas próprias palavras:

"Se este Senhor (Jesus Cristo) é tão poderoso, como sei e vejo; se os demônios não são senão seus escravos, como a fé não permite duvidar, que mal me podem fazer eles, se eu sou a serva deste Rei e Senhor? Antes, por que não me sentir tão forte que seja capaz de enfrentar o inferno inteiro?

“Tomando a cruz às mãos me parecia que Deus me dava coragem. Em breve espaço de tempo me vi tão transformada, que não teria temido sair em luta com todos os demônios, que me parecia que com aquela cruz facilmente venceria a todos; e lhes gritava: ‘Avancem agora! Sendo eu a serva do Senhor, quero ver o que me podem fazer!’

“E me pareceu que eles me temiam, pois fiquei tranqüila e sem temor de todos eles e se me esvaíram todos os medos que tinha até agora; verdadeiramente, pois, me deixaram tranqüila. Porque, embora algumas vezes os visse ainda, não lhes tive mais quase medo, pelo contrário, parecia que eles é que tinham medo de mim. Ficou-me um tal senhorio contra eles, a mim conferido pelo Senhor de todos, que não tenho mais medo deles do que de uma mosca. Parecem-me tão covardes que, vendo que eu os desprezo, perdem a força."

“Estes inimigos não sabem atacar senão aqueles que lhes entregam suas próprias armas, ou quando o permite Deus para maior bem de seus servos, que os atormentem. Aprouvesse a Sua Majestade que nós temêssemos a quem devemos temer e compreendêssemos que nos pode vir maior dano de um pecado venial que de todo o inferno junto; os demônios só nos perturbam porque nós nos perturbamos com aquilo que deveria nos aborrecer, como questões de honra, de negócios e deleites. Porque assim eles nos combatem com as nossas próprias armas que nós pomos em suas mãos, em vez de usá-las para nos defender. ..."

“Não entendo estes medos: as pessoas gritam 'demônio! demônio!', enquanto poderiam gritar: ‘Deus! Deus!’ e fazê-lo tremer. Sim, pois sabemos que eles não podem se mover se o Senhor não o permite”. (Santa TERESA, Livro de la Vida, Cap. 25, na. 20-22 in Obras Completas, pp 115-116.)

As armas da luta

Temos ao nosso alcance os meios de nos defender, quer da ação ordinária quer da extraordinária do demônio: a oração, a Confissão e os demais Sacramentos, os sacramentais, as medalhas bentas, água-benta; mas sobretudo uma vida de piedade autêntica e de fé sincera.

Quando Deus permite uma ação mais intensa do Tentador, uma infestação, ou mesmo, em casos extremos, a possessão, temos nos exorcismos, realizados com fé e devoção por quem de direito, uma forma segura de libertação.

Devemos recorrer especialmente ao nosso Anjo da Guarda, aos três gloriosos Arcanjos, São Miguel, São Gabriel e São Rafael.

A São José, Patriarca da Sagrada Família, ao qual Deus nada recusa.

Devemos sobretudo ter uma devoção sincera e enlevada para a Rainha dos Anjos, Terror dos demônios.

Uma luta efetiva contra a ação demoníaca não pode ser realizada sem a especial ajuda e patrocínio da Santíssima Virgem. Por sua dignidade de Mãe do Redentor, seu grau de união com Deus, sua participação ativa na Paixão do Salvador, como verdadeira Co-Redentora e Medianeira de todas as graças, Ela é nosso apoio decisivo contra os anjos malditos que se revoltaram contra seu Criador.

Maria, a mais terrível inimiga que Deus armou contra o demônio
O grande apóstolo da devoção marial, São Luís Grignion de Montfort, no seu célebre Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssíma Virgem, sintetiza de modo admirável o papel único de Maria na luta contra Satanás:

"Maria deve ser terrível para o demônio e seus sequazes, como um exército em linha de batalha, principalmente nesses últimos tempos, pois o demônio, sabendo bem que lhe resta pouco tempo para perder as almas, redobra cada dia seus esforços e ataques. Suscitará, em breve, perseguições cruéis e terríveis emboscadas aos servidores fiéis e aos verdadeiros filhos de Maria, que mais trabalho lhe darão para vencer.

“É principalmente a estas últimas e cruéis perseguições do demônio, que se multiplicarão todos os dias até o reino do Anticristo, que se refere aquela primeira e célebre predição e maldição que Deus lançou contra a serpente no paraíso terrestre. Vem a propósito explicá-la aqui, para glória da Santíssima Virgem, salvação de seus filhos e confusão do demônio.

“Porei inimizades entre ti e a mulher, e entre a tua posteridade e a posteridade dela. Ela te pisará a cabeça, e tu armarás traições ao seu calcanhar" (Gen 3, 15).

“Uma única inimizade Deus promoveu e estabeleceu, inimizade irreconciliável, que não só há de durar, mas aumentar até ao fim: a inimizade entre Maria, sua digna Mãe, e o demônio; entre o filhos e servos da Santíssima Virgem e os filhos e sequazes de Lúcifer; de modo que Maria é a mais terrível inimiga que Deus armou contra o demônio.

O calcanhar que esmaga a cabeça da serpente

“Ele lhe deu até, desde o paraíso, tanto ódio a esse amaldiçoado inimigo de Deus, tanta clarividência para descobrir a malícia dessa velha serpente, tanta força para vencer, esmagar e aniquilar esse ímpio orgulhoso, que o temor que Maria inspira ao demônio maior que o que lhe inspiram todos os anjos e homens e, em certo sentido, o próprio Deus. Não que a ira, o ódio, o poder de Deus não sejam infinitamente maiores que os da Santíssima Virgem, pois as perfeições de Maria são limitadas, mas, em primeiro lugar, Satanás, porque é orgulhoso, sofre incomparavelmente mais, por ser vencido e punido pela pequena e humilde escrava de Deus, cuja humildade o humilha mais que o poder divino; segundo, porque Deus concedeu a Maria tão grande poder sobre os demônios, que, como muitas vezes se viram obrigados a confessar, pela boca dos possessos, infunde-lhes mais temor um só de seus suspiros por uma alma, que as orações de todos os santos; e uma só de suas ameaças que todo outros tormentos."

“O que Lúcifer perdeu por orgulho, Maria ganhou por humildade. O que Eva condenou e perdeu pela desobediência, salvou-o Maria pela obediência” (São Luís Maria GRIGNION DE MONTFORT, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. nn. 50-54.)

Invoquemos Maria Santíssima, a Rainha dos Anjos e Terror dos demônios. Que Ela nos assista de um modo especial para que, revestidos da armadura de Deus, possamos resistir às ciladas do demônio (Ef6, 11-17).


“E mandará os seus anjos
com trombetas e com grande voz,
e juntarão os seus escolhidos
dos quatro ventos,
duma extremidade dos céus,
até à outra “.
(Mt 24, 31)

(Fonte: internet. Autoria:“Anjos e Demônios - A Luta Contra o Poder das Trevas”, Gustavo Antônio Solímeo - Luiz Sérgio Solímeo)


Madalena, da frustração ao pacto com o demônio


Madalena, da frustração ao pacto com o demônio

“Recusar obediência a Deus e dizer sim a Satanás, a Lúcifer”, a Belzebú". (Do pacto com o Demônio)

O CASO QUE SE SEGUE passou-se França, na década passada, e é relatado pela Dra. Marie-Dominique Fouqueray, psiquiatra que participa da equipe que auxilia o exorcista diocesano. (Relatório transcrito pelo Pe. Gabriele AMORTH, Nuovi raconti di un esorcista, pp. 151-155.)

Organista na paróquia e... sacerdotisa do Diabo!

"Um dos primeiros casos que tivemos que enfrentar foi o de uma senhora de seus quarenta anos, casada e mãe de quatro filhos, que trabalhava como educadora especializada. A causa dos seus males devera-se ao fato de que, por mais de dez anos, freqüentara uma seita satânica. Quando se dirigiu a nós, era a terceira vez que tentava sair daquela seita."

"Contrariamente a tudo o que se podia supor, esta senhora era muito próxima a sacerdotes; e foi um deles que a conduziu a nós. De fato, ela levava uma vida dupla: conhecia muitos sacerdotes e todos os domingos tocava o órgão na Missa, embora jamais se aproximasse dos sacramentos; mas, ao mesmo tempo, era grande-sacerdotisa de uma seita chamada Wicca, (Trata-se de uma seita satanista de caráter feminista, da qual já nos ocupamos pouco acima (cf. Parte V, Cap. 5).), cujo chefe é o próprio Lúcifer.  Ela tinha sido iniciada progressivamente, e quem ingressava na seita só poderia deixá-la por efeito de uma morte violenta, á qual ela era destinada: o suicídio. Ela sentia muito medo e queria sair, mas conhecia os riscos que isto comportava.

“Quando a encontramos pela primeira vez, apresentava sinais de uma pessoa deprimida, atormentada, emagrecida; dormia mal, mas não tinha antecedentes psiquiátricos. O exorcista, depois de ter examinado bem o caso, decidiu proceder aos exorcismos: primeiro de quinze em quinze dias, depois toda semana”.

A seguir a Dra. Fouqueray, narra como Madalena (nome fictício que ela usa para designar a infeliz mulher) se aproximou da seita e nela ingressou.

Pacto com o demônio e “batismo” satânico!

Nada levaria a supor que Madalena chegasse um dia a fazer um pacto com o demônio e a se tomar sacerdotisa de uma seita satanista. Educada em colégio de freiras, casada e mãe de família, sem preocupações financeiras, parecia uma pessoa feliz. No entanto, seu catolicismo era superficial e ela foi-se deixando levar por certo desencanto, aborrecimento com a vida de família e um vazio que não conseguia preencher.

“Num jornal mundano ela leu um convite para uma jornada de lazer."

“Freqüentou esse ambiente, embora percebesse que se tratava de um ambiente muito particular, aumentando cada vez mais o consumo de bebidas alcóolicas e drogas, e os convites para a iniciação numa seita. Mas, ao mesmo tempo, encontrou gente prestimosa, cujas atenções compensavam as carências que sentia em casa. E passou  a ser cada vez mais envolvida: renegou o batismo e aceitou um novo 'batismo’ da seita, no qual lhe foi imposto um novo nome. Recebei uma marca secreta na coxa e assinou com seu sangue um pacto com Satanás, depois de ter queimado a sua certidão de batismo cristão”.

Missas negras e escárnio da Paixão

“Foi iniciada nas Missas negras e em celebrações de triunfo satânico pela morte de Cristo, todas as sextas-feiras às três horas da tarde. Viu claramente que os nossos ritos e as nossas orações eram transformados, diabolizados. A Missa negra era uma paródia da Eucaristia e, no momento da comunhão, se transformava em orgia.  É importante conhecer os diversos pontos do pacto satânico porque, durante os exorcismos, é preciso convidar a própria pessoa a renegá-lo com plena renúncia a Satanás: Renego-te, demômio X não quero mais saber de ti e renuncio ás práticas que tu me inspirastes".

Os doze pontos do pacto maldito

"Eis os doze pontos do pacto satânico:"
1. Abjurar o batismo.
2. Abjurar a fé na Eucaristia.
3. Recusar obediência a Deus e dizer sim a Satanás, a Lúcifer, a Belzebú.
4. Repudiar Nossa Senhora.
5. Renegar os sacramentos.
6. Pisotear a cruz.
7. Pisotear imagens de Nossa Senhora e dos Santos.
8. Jurar fidelidade eterna ao príncipe das trevas; fazer juramento sobre as escrituras diabólicas.
9. Fazer-se batizar em nome do diabo, escolhendo novo nome apropriado para si.
10. Receber na coxa a marca do diabo, como sinal de filiação à seita.
11. Escolher um padrinho e uma madrinha na seita.
12. Profanar hóstias (não violando o Tabernáculo, mas indo comungar e conservando a partícula sagrada para depois profaná-la na Missa negra)".

Olhar de fera e repulsa do crucifixo

"Descobri esses pontos pouco a pouco, no decurso dos exorcismos.

“A possessa, durante os exorcismos, tinha o olhar de uma fera e rejeitava com força o crucifixo que mantínhamos diante dela; no final vomitava (às vezes somente água) e a sua temperatura chegava até 41º e baixava somente com o uso da água de São Sigismundo (conhecida em nossa região por curar febres inexplicáveis).

“Madalena demos-lhe este nome — tinha participa de um grande número de Missas negras...”

Madalena não era crismada...

“Permito-me sublinhar um fato. Em um caso como este, não basta únicamente a ação do exorcista: já por duas vezes dois exorcistas tinham falhado, por não terem levado em conta o que dizia a própria infeliz, e por terem minimizado as pressões e ameaças dos membros da seita. Na terceira vez Madalena foi libertada graças ao auxílio que a equipe deu ao exorcista. Por exemplo, era necessária uma reeducação na fé cristã e manter uma assistência contínua quando a possessa era assaltada por impulsos de suicídio e febres inexplicáveis. Nós não a deixamos nunca sozinha, e nos mantivemos sempre perto dela.

“Tudo isto durou três anos...  Os exorcismos foram suspensos quando Madalena pôde conduzir por si mesma a luta espiritual, rezar, confessar-se, comungar; ou seja, quando pôde utilizar os meios ordinários de luta. Acrescento um dado importante: Madalena nunca tinha sido crismada; depois de adeqüada preparação, ela mesma pediu esse sacramento, que lhe foi ministrado pelo Vigário Geral, na presença do marido, dos filhos e dos membros da equipe que auxiliam o exorcista”.
 (Fonte: internet. Autoria:“Anjos e Demônios - A Luta Contra o Poder das Trevas”, Gustavo Antônio Solímeo - Luiz Sérgio Solímeo)


Somos todos exorcistas


“Somos todos exorcistas"

"Em meu nome expulsarão os demônios."
(Mc 16,17)

DO ATÉ AQUI EXPOSTO ficou claro que também os leigos podem proceder a exorcismos, pelo menos em certas circunstâncias e sob certas condições. O presente capítulo procura esclarecer qual a origem e o fundamento teológico do poder exorcístico específico dos leigos, bem como as condições em que legitima e eficazmente podem fazer uso dele.

Podem os leigos exorcizar?

Possibilidade teológica

A rigor, do ponto de vista teológico, nada impede que um leigo possa proceder eficazmente a exorcismos, mesmo sobre possessos. A explicação teológica já ficou insinuada acima, porém de modo fragmentário, pelo que parece oportuno aprofundá-la aqui.

Já vimos como, nos primeiros tempos, fiéis que não tinham recebido o caráter sacerdotal, nem tampouco carismas especiais, procediam aos exorcismos batismais. Esses fiéis foram incorporados ao clero, vindo a constituir a ordem menor dos exorcistas, e passando a exorcizar também possessos; com o tempo, por uma série de razões históricas e disciplinares, suas funções acabaram por ser absorvidas pelos sacerdotes, e o exorcistado, embora continuando conferir um poder efetivo sobre o demônio, ficou reduzido simples degrau para a recepção do sacerdócio, até ser abolido em 1972, junto com as demais ordens menores. Com a reforma litúrgica de Paulo VI esse ministério, relativamente aos exorcismos batismais, passou a ser novamente confiado a leigos: os atuais catequistas e outros ministros extraordinários do Batismo.

Num e noutro caso - isto é, no dos primitivos exorcistas e no dos novos ministros extraordinários do Batismo — trata-se de fiéis que, como ficou dito, não receberam a ordenação sacerdotal (no segundo, esse ministério é confiado inclusive a mulheres), o que indica que tal ordenação não é teologicamente necessária para que alguém possa proceder eficazmente a exorcismos, mesmo em caráter oficial, isto é, em nome da Igreja.

Porém, não é a estes casos de pessoas delegadas pela Igreja que queremos nos referir, pois se poderia pensar que sempre é necessária alguma espécie de investidura eclesiástica para adquirir a capacidade teológica para exorcizar o demônio. O que investigamos aqui é se o simples fiel, sem nenhuma investidura oficial, tem poderes — teologicamente falando — para proceder eficazmente aos exorcismos.

Poder dado pelo Batismo, pela Confirmação e pela Eucaristia

O homem não tem nenhum poder natural sobre Satanás e os espíritos infernais: se não fosse socorrido por Deus, ficaria inteiramente à mercê do Maligno. E, de fato, pelo pecado original, todos nos tínhamos tornado escravos dele. Nosso Senhor, na sua misericórdia, resgatou-nos da tirania do demônio por sua morte de Cruz. E Ele que participemos de sua luta, assim como nos associa ao seu triunfo.  Isto se dá pelo Batismo, que nos incorpora a Cristo e nos faz partícipes de sua luta e de sua vitória. Pois o corpo participa de toda a vida da Cabeça. Eis aí o título fundamental que nos faz exorcistas a todos os batizados.

É por isso que Dom Pellegrino Ernetti 0.S.B. — exorcista da arquidiocese patriarcal de Veneza dá ao capítulo final de seu livro o seguinte título: “Somos todos exorcistas “.

Escreve Dom Pellegrino: “As orações e o exorcismo preventivo são inerentes ao próprio estado de ser cristão, enquanto batizado, crismado e que vive a vida da Eucaristia. Do caráter batismal lhe provém já o título de verdadeiro lutador contra Satanás. E a própria oração do Pai-Nosso lhe confere o título válido para lutar em forma preventiva. O cristão não somente tem o estrito dever de soldado e seguidor de Cristo, o qual veio á terra para expulsar e destruir a obra do demônio, mas tem inclusive o direito de participar nesta luta, direito sempre proveniente, seja do caráter batismal, seja crismal, e, nutrido de Jesus na mesa eucarística, se torna sempre mais forte para obter a vitória, juntamente com seu Rei e Vencedor, Cristo.

“Portanto: todos somos exorcistas, lutadores e vencedores de Satanás! Como exorcista, o fiel no faz outra coisa senão exercitar o seu jus nativum, consubstanciado no sacerdócio comum dos fiéis”. (D. Pellegrino ERNETTI O.S.B., La Catechesi di Satana, pp. 245-246)

Teológicamente falando — e abstraindo igualmente de carismas extraordinários —, todos os fiéis somos, pois, exorcistas, sem que seja necessária nenhuma espécie de investidura eclesiástica para adquirir a capacidade para exorcizar o demônio. Essa capacidade está in radice no Batismo, que nos faz filhos de Deus, membros do Corpo Místico de que Cristo é a Cabeça; e é reafirmada pela Confirmação, que nos faz soldados de Cristo e nos dá, junto com o dever de lutar por Ele, a capacidade para tal combate; e é alimentada pela Eucaristia.

Porém, esse poder exorcístico, por sábias razões de prudência, está limitado pela leis da Igreja, como se verá a seguir.

Limitações canônicas

Se não existem empecilhos de natureza teológica para que um leigo possa praticar exorcismos, ocorrem entretanto impedimentos de natureza canônica, isto é, de lei positiva da Igreja.

O primeiro deles é a proibição de praticar exorcismos sobre possessos, os quais, como ficou exposto anteriormente, são reservados aos sacerdotes devidamente autorizados pelo respectivo bispo.

Outra restrição diz respeito ao emprego da fórmula do chamado Exorcismo de Leão XIII, reservada para os bispos e sacerdotes autorizados.

Os simples fiéis também não devem realizar sessões de exorcismos nas quais se interpele diretamente o demônio, ainda que não se trate de casos de possessão propriamente dita, desde que se suspeite de presença demoníaca (CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ, Carta aos Ordinários de lugar, relembrando as normas vigentes sobre as exorcismos, 29 de setembro de 1985.)


Quando e como os leigos podem exorcizar

Nas infestações locais ou pessoais

Então os leigos ficam à mercê dos ataques do demônio, já que não podem exorcizar os possessos?

De nenhum modo. Convém lembrar que a principal defesa contra o demônio é a graça de Deus, que se recebe no Batismo e se recupera na Confissão, sendo alimentada pelos sacramentos, sacramentais, boas obras e vida de piedade. Portanto, mesmo que um leigo possa fazer exorcismos sobre possessos, ele não está indefeso diante do demônio. É preciso recordar ainda que a possessão, de si, não é um obstáculo à salvação nem à santificação das pessoas, podendo mesmo ser uma provação útil para a vida espiritual da vítima, ou de seus familiares e amigos e mesmo do próprio exorcista. Cabe considerar, ainda, que a possessão não é a ofensiva extraordinária, mais freqüente do demônio. Excetuando a tentação (que é uma ofensiva ordinária), os Autores dizem que a ofensiva extraordinária mais corrente é a infestação tanto local como pessoal. Eles dizem que é grande o número de pessoas que procuram os exorcistas por estarem atormentadas pelo demônio, sem que, entretanto, se trate de casos de possessão. E que se sentem aliviadas com exorcismos simples ou apenas com bênçãos e outros remédios espirituais.

Ora, com relação à infestação local e mesmo pessoal, não existe na legislação canônica nenhuma proibição: os leigos podem fazer exorcismos privados, desde que não empreguem a fórmula do Exorcismo contra Satanás e os anjos apóstatas (o chamado Exorcismo de Leão XIII), nem “se interpele diretamente o demônio, e se procure conhecer sua identidade". E o que adverte a Congregação para a Doutrina da Fé, no documento acima citado. (CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ, Doc, cit.)

Portanto, nos casos menos raros de ação demoníaca extraordinária, isto é, nas infestações locais e nas pessoais, os fiéis não estão indefesos, em decorrência da regulamentação dos exorcismos estabelecida pelo Código de Direito Canônico e por documentos da Congregação para a Doutrina da Fé. Além dos remédios gerais, ordinários, podem eles, com as cautelas adiante indicadas, fazer uso do remédio extraordinário do exorcismo privado.

Para repelir as tentações e perturbações do demônio

Não é apenas em casos ou situações de certo modo extremas, que os leigos são livres para proceder a exorcismos privados.  Eles os podem praticar preventivamente sempre que se sentirem tentados ou perturbados pelo demônio.

É o que ensinam os moralistas e canonistas. Por exemplo escreve o Pe. Felix M. CAPPELLO S.J.: “O exorcismo privado pode ser realizado por todos os fiéis. Porque qualquer um pode, para repelir as tentações ou perturbações do demônio, ordenar a ele, por Deus ou Jesus Cristo, que não prejudique a si ou a outros. O efeito desse exorcismo não deriva da autoridade e preces da Igreja, uma vez que não se faz em seu nome, mas somente pela virtude do nome de Deus e Jesus Cristo”. (Felix M. CAPPELLO S.J.. Tractatus Canonico-Moralis DE SACRAMENTIS. p.84). No mesmo sentido escreve o Pe. Marcelino ZALBA S.J.: “Exorcismos: ... privados imperativamente (pode ser feito) por qualquer um, somente para coarctar a influência dos demônios...”(Marcelino ZALBA S.J., Theologiae Moralis Compendium, p. 661).)

É igualmente o que diz o exorcista de Veneza, D. Pellegrino Ernetti: “Para todas as outras atividades demoníacas acima elencadas [tentações, infestações locais e pessoais], todos os batizados e crismados, indistintamente, têm o munus e o dever de lutar juntamente com Jesus para debelar o inimigo infernal”. (D. Pellegrino ERNETTI O.S,B., La Catechesi di Satana, pp. 247-249.)

Em resumo: os simples fiéis podem, e até devem, realizar exorcismos privados nas tentações ou infestações demoníacas; não, porém, nos casos de possessão, pois os exorcismos sobre possessos são reservados, como ficou afirmado, aos sacerdotes autorizados.

Evitar uso de fórmulas solenes e aparência de carisma

Quanto ao modo de fazer os exorcismos, os leigos devem evitar o uso das fórmulas do Ritual Romano, reservadas apenas aos sacerdotes que receberam a devida licença do bispo, pois tal uso podia fazer crer que se tenciona fazer os exorcismos em nome da Igreja, ou seja, que se está investido de um mandato eclesiástico. É recomendada uma prudência particular para evitar toda solenidade e formalidade, inclusive a forma imperativa, sempre que isso possa fazer pensar que se trata de um carisma extraordinário, pois isso poderia causar estranheza a muitos, dada a raridade dos carismas hoje. É preciso precaver-se ainda contra o perigo do escândalo, sobretudo nas possessões. Por isso, se se tratar de possessão diabólica do corpo, relativamente à qual tal perigo de escândalo e abuso pode ser maior, os fiéis devem abster-se de praticar os exorcismos (aliás, encontram-se proibidos de o fazer pela lei da Igreja), devendo dirigir-se a um sacerdote; podem, entretanto, fazer uma oração, pedindo a Deus - por intercessão de Nossa Senhora, de São Miguel, dos anjos e dos santos — que libertem aquela pessoa do domínio de Satanás e impeçam que o espírito maligno faça mal a outras pessoas. Também nos casos de infestação local ou pessoal grave, em que a atuação do demônio seja certa ou ao menos muito provável, ou haja manifestações extraordinárias, será mais prudente abster-se da fórmula imperativa, ao fazer exorcismos privados. O mais recomendável seria chamar igualmente um sacerdote, sempre que possível.
Do mesmo modo, deve-se evitar qualquer procedimento que possa dar a impressão de vã presunção nos próprios méritos. O Pe. Guillerme Arendt (jesuíta belga, cuja orientação estamos seguindo neste item) observa que uma ordem dada ao demônio por um simples fiel, em nome de Deus, com presunção de êxito sem ter em conta a vontade divina, pode constituir uma tentação a Deus, uma vez que é quase obrigá-Lo a interferir por respeito ao próprio Nome.

Mas quando não há essa presunção e se espera unicamente em Deus e no poder do nome e da cruz de Cristo, então não há esse perigo. Nesse caso, o que se está fazendo é apenas uma oração a Deus, que Ele atenderá segundo seus augustos desígnios.  Trata-se também de um ato de fé e de esperança na promessa do Redentor de que aqueles que cressem teriam o poder de expulsar os demônios.

Quando se tratar somente de repelir a tentação do diabo pecar para pecar, é conveniente desprezar e calcar aos pés, pela virtude de Cristo, a soberba diabólica, com exprobação imperativa, de modo que o inimigo confundido seja posto em fuga em virtude de sua própria impotência. (Cf. 6. ARENDT, De Sacramentalibus, n. 311 apud Mons. c. BALDUCCI, Gli Indemoniati, pp. 99-100.)


“Orações de libertação”

Cabe aqui uma palavra sobre as chamadas orações de libertação.

“Orações de libertação — define Mons. Corrado Balducci -  são aquelas com as quais pedimos a Deus, à Virgem, a São  Miguel, aos Anjos e aos Santos sermos libertos das influências maléficas de Satanás. São muito distintas dos exorcismos, nos quais nos dirigimos ao diabo, ainda que em nome de Deus, da Virgem, etc.; distintas seja pelo destinatário direto, seja obviamente pela modalidade, pelo tom: deprecativo e suplicante no primeiro caso, imperativo e ameaçador no segundo”. (Mons. C. BALDUCCI, El diablo, p. 261.)

Nessas orações, em vez de se impor ao demônio, em nome de Jesus Cristo, que deixe aquela pessoa, aquele lugar, ou que cesse aquela situação, implora-se a Deus que — pelos méritos de Nosso Senhor, pela intercessão de Nossa Senhora, dos Anjos, dos Santos, de pessoas virtuosas — nos proteja e liberte do jugo do Maligno (sem interpelar diretamente o demônio nem procurar conhecer sua identidade). Devemos fazer essa súplica com humildade e confiança, pois Deus não o despreza um coração contrito e humilhado (SI 50, 19). Deus não deixará certamente de nos atender, sobretudo se tivermos em vista antes de tudo a sua glória. "Orar para sermos libertados do diabo, de suas tentações, de suas maquinações, enganos e influências — escreve Mons. Balducci - é louvável e não só recomendável, e sempre se fez assim, em privado e em público; esta petição, Jesus a incluiu na única oração que nos ensinou, o Pai-Nosso; e se fazia assim, como ficou dito, no final de cada Missa com a oração a São Miguel Arcanjo”.

Porém, continua o Prelado, ultimamente, em algumas reuniões de grupos de oração e outras iniciativas privadas, nas quais se faziam orações de libertação, ás vezes se saía dos âmbito da simples oração e se chegava ao uso de verdadeiras fórmulas exorcísticas, com a interpelação direta do demônio. Tais práticas determinaram a intervenção da Congregação para a Doutrina da Fé, com a Carta de 29 de setembro de 1985, várias vezes referida aqui.
 (Fonte: internet. Autoria:“Anjos e Demônios - A Luta Contra o Poder das Trevas”, Gustavo Antônio Solímeo - Luiz Sérgio Solímeo)